Na pauta do mes, a novela
“Morde e Assopra”(Globo), o jornalístico
“CQC” (Band) e o esportivo “
Belas na Rede”(Rede TV).
ANDRÉ, A CARA E A CORAGEM

A novela ia se chamar “Dinossauros e Robôs”. Mudou pra “Morde e Assopra”, o que quer dizer a mesma coisa... Os títulos das novelas atuais são tão evasivos que fica difícil a gente entender que história afinal está sendo contada.Como se trata de uma obra aberta, acho eu, eles também acompanham a pluralidade da trama, um emaranhado de situações paralelas em torno de uma focada como a trama principal. A novela escrita pelo craque Walcyr Carrasco chega ao final com o mérito de ter proporcionado excelentes atuações individuais entre o numeroso elenco escalado.
Dos protagonistas, Adriana Esteves é sempre aquele brilho especial; Ary Fontoura e Elisabeth Savalla, duas feras da comédia, deitaram e rolaram. A novela trouxe de volta ao vídeo Narjara Turetta em papel dramático perfeito para o seu momento de atriz.
As revelações foram diversas, a começar pelo casal jovem Klebber Toledo, tão bonito quanto bom ator, e Marina Ruy Barbosa, igualmente linda e sensível. Vera Mancini começou de mansinho, discreta e cresceu no decorrer da novela, trazendo a sua Cleonice para o primeiro plano, batendo de igual pra igual com a experiente e hilária Jandira Martini, a Salomé. Atores de peso rechearam o bolo, como Paulo Goulart, Paulo José, Cissa Guimarães, Emiliano Queiroz e Walderez de Barros.
Na minha opinião de telespectador, me bateram como os pontos altos de “Morde e Assopra” as presenças de Cássia Kiss e André Gonçalves. Kiss deu um banho de humanidade na sua Dulce, comovendo e emocionando a todos. É sempre uma atriz intensa e detalhista em suas composições. Show.
André Gonçalves aproveitou bem a oportunidade e deu uma dimensão especial ao gay Áureo em leveza e bom humor. Um barato! Muito bem apoiado por Vanessa Giácomo (Celeste) e Joaquim Lopes (Josué), André conseguiu a proeza de fazer alta comédia sem ser pejorativo ou crítico. Ele brincou com o clichê “do viado”.Um ato de coragem em se expor e focar o personagem sem ser vulgar ou preconceituoso, como tantos gays que assistimos na telinha. Um show de interpretação moderna a serviço do carisma do ator.
OS MENINOS MAUS

Eles são moderninhos, superprafrentex, irônicos e irreverentes. No entanto, apesar do sucesso que fazem, há quem ache o programa “C Q C” o campeão do humor chulo, desagradável e ofensivo. A ideia do jornalístico da Band é uma franquia da Argentina, exibido lá desde 1995: “Caiga, Quien Caiga” que a paulicéia batizou de “Custe o Que Custar”. Deu pra entender ? Nem eu... Uma bancada de tres apresentadores – Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Marco Luque, se balançam para as câmeras animadas, apresentando e comentando os temas abordados sempre de terno e óculos escuros. Nas reportagens, Rafael Cortez, Danilo Gentili, Felipe Andreoli, Oscar Filho e Mônica Iozzi aparecem nas estreias e até no Senado Federal, com a irreverência na ponta da língua e , segundo eles, “perguntando o que ninguém teve coragem de perguntar...” Sempre em nome do direito de livre pensar e de se expressar, claro.
Uma das tiradas da turma: “As feias deveriam agradecer quando fossem estupradas” (sic)... O apresentador Rafinha foi afastado recentemente do programa por que fez comentário grosseiro, depois de Tas falar: “Que bonitinha está a Wanessa grávida”, referindo-se à cantora Wanessa Camargo. Rafinha saiu-se assim: “Eu comia ela e o bebê, não tô nem aí...” Fino o rapaz, hein, hein? Sutil como uma britadeira...
O nível é por aí, em nome de uma originalidade inusitada. Como todos são jovens, imprimem uma postura da “new generation” em relação ao mundo político, das celebs, da cultura e do esporte, para o seu público alvo. Fico pensando na responsa de falar para o jovem de hoje...
AS BELAS NA TELA

O mundo é das mulheres, isso não é novidade. Elas agora chegaram ao futebol. Além do tapete verde conquistado como jogadoras, abrem espaço como comentaristas, analistas e entrevistadoras do esporte até então considerado essencialmente masculino. A ideia está no ar há um ano pela Rede TV no programa “Belas na Rede” apresentado aos domingos. Um time super simpático de jornalistas e ex-jogadoras comandam a atração trazendo leveza, bom humor e informação com naturalidade e empatia. O mais importante, a meu ver, é a oportunidade de seu ouvir a ótica feminina, elas debatem, opinam e interagem com o público telespectador com personalidade e firmeza.
Milene Domingues, a Rainha das Embaixadinhas, é presença marcante nos comentários e posturas que assume diante das câmeras, sempre viva e bela, ao lado de Juliana Cabral e Marília Ruiz . A jornalista Paloma Tocci apresenta e a repórter Gabriela Pasqualin faz as reportagens. Elas falam com naturalidade e competência, o que é raridade na tv aberta onde a maioria grita e quer parecer inteligente naquele tom de clipe (tudo rápido e dinâmico) cansativo. E aí está o grande charme de “Belas na Rede”, o coloquial e a simplicidade.