Eu estava quieto no meu canto até que o telefone tocou, e aí
...acordei.Era um convite.
E logo no “Pé na
Cova” para atuar em episódio que evoca o
universo circense, me proporcionando um antigo
sonho de viver um palhaço em cena.Cocadinha é o velho palhaço que acabou,
quem diria, no Irajá, mais precisamente na frenética funerária de Miguel Falabella e sua
trupe, depois da invasão de fiscais e políticos corruptos que vão derrubar o
seu circo.Fuuuuui.
Quando a produtora de elenco Yolanda Rodrigues me chamou
para a participação, a primeira imagem que me veio à cabeça foi a do palhaço
Carequinha, quem assisti na televisão artesanal de então com seis anos de
idade. Ele foi o meu ídolo maior da infância. Era extraordinário em cena.Foram anos inesquecíveis
sintonizado no Circo do Carequinha, na TV Tupi; minha memória emotiva é bem
afiada no assunto. Fred, Zumbi, Meio Quilo, Oscar Polidoro e ele: o maior Palhaço do Brasil.
Quando a maquiadora Sonia Hazan me perguntou o que eu tinha pensado para ele, não exitei: a maquiagem do Carequinha!
O seriado “Pé na Cova” está oxigenando o gênero com uma originalidade hilariante. Desmistificando a
morte, e fazendo dela elemento de humor, ele trás para o vídeo uma família tão
mágica quanto realista, uma Família Buendia (“Cem anos de solidão”) “hilária de
gouveia”... Gabriel Garcia Márquez foca a aldeia de Macondo na escola literária
do realismo mágico com a presença do sensorial como parte da percepção da
realidade. Falabella e sua turma de escritores antenados, liderados pelo grande
Luiz Carlos Góes, passeia por aí e coloca gin no drink: doses de elementos das comédias da Atlântida,
do Teatro Besteirol e da Comédia de Costumes. No liquidificador, virou um
coquetel delicioso.
Transgressor em alta temperatura, “Pé na Cova” faz seu humor
ácido dar uma elza na Família
Tradicional, aquela que é unida por múltiplos laços e que mantém os membros da
clã moralmente e materialmente durante gerações. Mas a família Pereira (será
descendente de Vicente Pereira?) é completamente amoral e muito unida ao mesmo tempo, o que a
torna fascinante e imprevisível.
Não é à toa que a segunda temporada está bombando, segundo as
pesquisas.Todo mundo está gostando de ver a 'instituição Família' levar uma injeção de criatividade e respeito à
individualidade dos seus membros. Na veia.
Cocadinha faz dupla com Garnizé, dublé de coveiro,
interpretado por Ricardo Graça Mello, ator e músico, filho de Marilia Pêra e
Paulo Graça, artista sangue azul. Pra mim foi um encontro especial, em cena e
fora dela. Rolou uma química de boa, e fizemos uma cena de picadeiro no maior
pique. Na rotina de palhaços, fomos ensaiados pelo Renner Avillis, o palhaço
Xulipa do centro da foto, que criou uma cena
de pantomima super comunicativa.
Na cena do velório foi difícil segurar o riso.Eram tantas
gags, e diálogos hilários que o presunto Cocadinha se rebolou no caixão...Isso
por conta do Ruço, Babá, Abigail, Tamanco, Sermancino, Floriano, Xulipa, Odete
Roitman, Darlene, Besteirinha, entre outros...
Fiquei feliz por alguns saborosos reencontros: Cininha de
Paula, que dirige com Cris D’Amato, Marcelo Picchi e Rubens de Araújo,
respectivamente, Sebonetti e Floriano. Rubens, como Cininha, dos tempos do
Tablado e Marcelo da sua estreia no Rio em “Alzira Power”, que estrelou ao
lado de Yolanda Cardoso; eu fiz o lançamento da peça. Ed Felix, o Besteirinha, além do convívio
pessoal que foi ótimo, brilhou nas cenas
com uma espontaneidade de quem sabe
fazer humor.
As cenas de Miguel Falabella (Ruço) e Marília Pêra (Darlene) são sempre emocionantes , tanto pelo
texto quanto pela sintonia dos atores.A cumplicidade das personagens, que foram
casados,e na verdade nunca deixaram de ser, conduzem e comentam as situações daquela ouriçada família. E têm uma
ternura...
O romance incubado entre Clécio (Magno Bandarz ) e Abigail (
Lorena Comparato) está conquistando o público, e dividindo opiniões sobre a
questão da fidelidade, afinal ela é casada com Ruço (Miguel Falabella).A empatia do casal apimenta bem a situação.
Sermancino (Gabriel Lima) é filho de Tamanco (Mart’nália) e
Odete (Luma Costa), e por isso mesmo sofreu bule
na escola... Este episódio emplacou ótima audiência. Nele, Abigail teve um
beijo roubado por Clécio, em atuações sensíveis.
Fechando a tampa, digo, o ano, a notícia mais animadora:
confirmada a terceira temporada de “Pé na Cova” para 2014! A Globo tem uma joia
na mão, ela sabe disso.
Parabéns a todos os envolvidos. Só gente fina, elegante e
sincera.
Saquem a letra deliciosa do tema musical, assinado e cantado
pela incrível Mart’nália.
Enquanto isso as caveirinhas dançam, e balançam literalmente o
esqueleto!
Flores,
flores, flores...
Firma sinistra é a nossa
A sua tristeza me importa
Peroba bate na madeira
O além pra mim é brincadeira
Todo mundo sabe
Mas não a hora
Fique tranquilo a sua vez já chega
Todo mundo sabe
Mas ignora
Devagarinho a sua morte vai chegar
Fui… Disk, fui
Se morreu não senti, se matei nem vi, o caixão é... Unidos do Irajá
Fui... Fui...
Gosta de flores?
Amanhã terás
Fui…
Pé na coooova!
Firma sinistra é a nossa
A sua tristeza me importa
Peroba bate na madeira
O além pra mim é brincadeira
Todo mundo sabe
Mas não a hora
Fique tranquilo a sua vez já chega
Todo mundo sabe
Mas ignora
Devagarinho a sua morte vai chegar
Fui… Disk, fui
Se morreu não senti, se matei nem vi, o caixão é... Unidos do Irajá
Fui... Fui...
Gosta de flores?
Amanhã terás
Fui…
Pé na coooova!
Luiz Sérgio, o Miguel Falabella está realmente oxigenando a dramaturgia televisiva, trazendo o humor sutil de "Pé na Cova" aliado a um elenco de inegável talento. Adorei a sua participação evocando o Carequinha, também um marco da minha geração, ao lado do paulista Arrelia. Embora você tivesse que aparecer num caixão (arrepiei) está mais vivo do que nunca! Parabéns!
ResponderExcluirOi, Luis Sérgio!
ResponderExcluirQue legal essa história! Que bom que você se inspirou no grande Carequinha. Também adorava o programa que não estava nem aí para pedagogia: "Criança legal (?) não faz xixi na cama". Lembra? Eu fazia, mas não me incomodava, não..
Bj,
Tania Lóes
OI LUÍS SÉRGIO ESTOU FELIZ DE REVÊ LO NA TELINHA E INTERPRETANDO UM ÍCONE DE NOSSA INFÂNCIA GEORGE SAVALLA GOMES(PALHAÇO CAREQUINHA), QUE É REFERÊNCIA PARA TODA UMA GERAÇÃO DE ANIMADORES E PALHAÇOS CIRCENSE. GOSTO DE PÉ NA COVA UM JEITO ALEGRE DE LIDAR COM A MORTE, QUE É UMA COISA TRISTE. PARABÉNS.
ResponderExcluirAnselmo Silva de Andrade
estarei na plateia para aplaudir o -animado pé na cova- Viva.....do velho ator emilianoqueiroz
ResponderExcluirEntão quer dizer que o Bucaneiro vai virar palhaço. Não vou perder!! É muito engraçado o programa e diferente mas acho que passa um pouco tarde demais.Mas todas vezes eu acho que valeu a pena.Gosto daquele mecânico que é travesti, cada um mais loucoo que o outro.rs.Selena
ResponderExcluireu sempre assisto O PE NA COVA, é diversão garantida; mas amanhã será imperdível, por conta da participação do amigo/ator Luís Sergio. abraço.Gustavo
ResponderExcluirAdorei a noticia,adorei você ter virado....palhaço!
ResponderExcluirTenho andado numa correria só, por conta da vida, exausta já, tentando chegar ao final do ano com tudo resolvido. Perdi, o episódio..... vou tentar ver se encontro ou se vc. tiver a gravação, manda pra mim. O artigo, como sempre é irretocável! Parabéns amigo e perdoe as ausencias vez por outra, mas o bicho tá pegando!bjsss
Vera Vianna
Oi, Luis Sérgio!
ResponderExcluirAmei! Esse programa foi de um lirismo surpreendente. Caramba! Parabéns pela construção e homenagem-inspiração ao Carequinha. Quem disse que é um programa humorístico? Fui surpreendida. Bj,
Tania Loes
""Pinta a tua aldeia e serás universal!! Parabens.Cadu
ResponderExcluirÉ verdade o que diz Tania Loes, não se trata de um programa humoristico muito pelo contrario...Fez a gente pensar e se emocionar como num filme de Carlitos. Meus pareabens a todos e a voce especialmente, Bucaneiro Prateado. Lita Paes leme
ResponderExcluirPois é, Lita, foi exatamente o que senti: o lirismo dos filmes de Chaplin "no ponto".
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